Após carta de retratação comentários de “arregou” e “perdeu meu voto” dominam live de Bolsonaro

Presidente, após recuo, passou a perder prestígio entre apoiadores, que expressam sua decepção em sua tradicional live de quinta-feira.

Além de ter decepcionado figuras como Silas Malafaia, Allan dos Santos e Rodrigo Constantino com sua “carta de pacificação”, o presidente Jair Bolsonaro causou um misto de raiva e melancolia entre seus apoiadores.

Depois de incitar golpe, xingar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e dizer que não vai cumprir decisões judiciais, o presidente viu uma contundente reação do presidente da Corte, Luiz Fux, e uma nova movimentação pelo impeachment no Congresso Nacional.

Isso o fez seguir os conselhos de Michel Temer e publicar, nesta quarta-feira (9), uma “carta de pacificação” onde admitiu discursos feitos “no calor do momento” e até mesmo elogiou o ministro Alexandre de Mores. O documento teria sido escrito por Michel Temer.

Trata-se de um banho de água fria para apoiadores do presidente que acreditaram em um golpe e na destituição de ministros do STF.

Horas após a divulgação do documento, Bolsonaro iniciou sua tradicional live de quinta-feira em suas redes sociais. Aberta para comentários, os bolsonaristas que antes bombardeavam a transmissão com comentários de “mito” e “eu autorizo” passaram a expressar sua indignação com o recuo do chefe do Executivo.

Os comentários que mais dominaram a transmissão foram “arregou”, “amarelou” e “perdeu meu voto”. Alguns apoiadores mais fiéis tentaram ponderar, pedindo “calma” e afirmando que confiam no presidente.

Os comentários negativos, entretanto, foram mais predominantes que os positivos.

Bolsonaro publica "Declaração à Nação"

Leia a íntegra declaração à nação do presidente da República:

“Declaração à Nação

No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.

8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro

Presidente da República federativa do Brasil”

Redacao InfoJudiciario

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Next Post

Paralisia

seg set 13 , 2021
Economia brasileira está em coma Segundo economista da Unicamp, melhora na economia passa por mudança política. Sem participação do Estado, investimentos caem, aumentando a dependência do agronegócio Por Redação InfoJudiciário Publicado 13/09/2021 – 12:10 Após o IBGE divulgar retração de -0,1% no PIB do segundo trimestre, o ministro da Economia, […]

Rolagem de notícias